17 de Julho de 2009

A Volta ou o Movimento Saudável dos Blogs

Este post veio à minha cabeça quando tive a maravilhosa notícia da “volta” da minha querida Lezzie, no seu delicioso blog, Lez Grrrls, o antigo e bom Lezzie Grrrls.

Quem acompanha o Queer Girls e o Lesbosfera há mais tempo, sabe que andei por toda a internet, procurando a Lezzie, quando ela parou de blogar. Gritei por todos os cantos e nada da Lezzie.

Ela está de volta! Com sua sensibilidade e mineirice à todo o vapor!!

Lez Grrrls

Vendo a Lezzie, olhando para o meu próprio rabo e de outr@s blogueir@s amig@s vejo que este movimento é coletivo. O ir e vir. Ora amamos os blogs, ora estamos de saco cheio, ora queremos fugir, ora deletar, ora precisamos blogar ou de outros ares. É o que eu poderia resumir como uma relação contraditória e porque não infernal, em um primeiro momento.

A questão é justamente esta: antes me sentia a pior das blogueiras por viver me debatendo com a condição de blogar. Me sentia responsável, culpada e oprimida pela situação que tinha criado para mim mesma.

Fui reparando e vendo que os bons blogueiros que eu conheço, todos têm, senão a mesma inquietação, alguma outra em relação ao blog. Pode ser a angustia da exposição, a necessidade de controle, a “curiosidade” pelos leitores, o branco criativo, a dialética entre o real e o virtual …… seja lá o que for, bom blogueiro não passa imune ao próprio blog ou ao ato de blogar.

Não acho que tenha relação com o escrever somente. Não acho que tenha a ver com o real / virtual. Acho que esta inquietação é inerente à dinâmica dos blogs. Da matéria-prima que o faz. Somos o humano da internet.

Esta minha concepção não engloba quem tem blogs ou sites como meio de vida. Quem faz disto um trabalho ou uma forma de remuneração. Ao profissionalizar a criação, colocamos distância. Perde-se o lúdico, o louco e o santo desta parafernália toda.

A beleza dos blogs é a diversidade, o ter para todos os gostos. Gostar ou não é apenas uma questão de cliques. Os blogs são interessantes porque os blogueiros colocam (de forma implícita ou explícita) as pequenas angústias cotidianas, ordinárias e banais. Somos todos iguais na nossa condição de seres alienados de si mesmo. Na busca permanente de uma satisfação parcial para o nosso desejo constante. No âfa neurótico de sermos queridos, notados, vistos, compreendidos, desejados e reconhecidos.

Psicanalítico demais o papo?

Pode até ser. Mas, só na teminologia porque no fundo, no fundo, não quer dizer nada mais do que o que fazemos: blogamos para nos mostrar, para expor, para sermos vistos, para achar nossos pares e iguais. Por acreditar veêmentemente que temos algo a dizer. E o pior, que os outros querem ouvir, ler, saber!!

Por isso, volto à questão incial do texto. As pausas que precisamos de nós mesmos e de nossos blogs. Por podermos fazer estas pausas, seja lá a razão (um amor, uma dor, um trabalho, uma mudança, a falta de um computador, o saco cheio) é que considero estes os melhores blogueiros. Os que se permitem liberdade, descobrir novos ares, vivenciar outras coisas, assumir o vácuo e que não há suprimento possível pelas relações de internet, lamber as próprias feridas, recomeçar, deprimir, seja lá o que for. Os que ficam atados à própria condição, grudados em seus computadores, sem desviar os olhos da tela, defendendo o blogar com unhas e dentes, considerando os “desistentes” como traídores, estão piores que o mais angustiado dos blogueiros. Estes estão cristalizados. Congelaram no tempo e no espaço.  Já não conseguem mais fazer o vai e vem que traz novidades e oxigênio para os blogs. Ou seja, o bom blogar!

15 de Julho de 2009

Mais um aninho….

Este pequeno e singelo post é para agradecer a vocês

por todo o carinho e amizade nestes anos.

O Queer Girls está fazendo aniversário!

Sempre, meu muito obrigada !!

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Presente e Meme

Selo a dona desse blog é uma fofa.Laís

O Queer Girls e o Lesbosfera receberam selo e meme da amiga querida Marcia Paula.  

Vamos as regras:
- Linkar quem te indicou;
- Postar o selinho;
- Passar o selinho para as 05 amigas (os) e avisá-las (os) e
- Responder as perguntas


São elas:
1. Mania:
De organização.

2. Pecado capital:
Só vale um??  Então, preguiça-gula, com certeza!

3. Melhor cheiro do mundo:
O da casa da minha avó paterna.

4. Se dinheiro não fosse problema, eu faria:
tanta coisa que nem dá pra listar, mas viajaria demais!

5. Casos de infância:
As histórias que eu contava pra mim mesma…

6. Habilidade como dona de casa
Gosto de cozinhar e de lavar louça (adoro!)

7. O que eu não gosto de fazer em casa:
Passar roupa! Ai, que sofrimento!!

8. Frase:
A de hoje (porque amanhã já é outra):

“Leva-se muito tempo para ser jovem” – Pablo Picasso

9. Passeio para o corpo:
Dormir e ouvir o canto dos pássaros.

10. Passeio para a alma:
Uma boa memória seletiva.

11. O que me irrita:
Avareza! Odeio gente pão-dura!

12. Frase ou palavra que fala muito:
Fofa. Tudo pra mim é fofo ou cute!

13. Palavrão mais usado:
Infelizmente, falo muito palavrão! Puta que o pariu, merda, caralho, cacete. Melhor parar por aqui….

14. Desce do salto e sobe o morro quando:
Não sou destas atitudes. Não lembro quando isto aconteceu pela última vez.

15. Talento oculto:
Quando descobrir, eu conto!

16. Não importa que seja moda, não usaria nem no meu enterro:
Calça saruel.

17. Queria ter nascido sabendo:
more and more and more…  Adoro não saber. Só assim posso aprender!

Passo a bola para as aseguintes amigas: Helena, Luh, Cames, Lore e Alice

Notícias de Hollywood

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Fiquei tristinha ao ler que Maura Thierney fará uma cirurgia para a retirada de um tumor na mama. Os médicos ainda não diagnosticaram o tipo de tumor. Maura entrou há alguns anos em ER para fazer a enfermeira Abby Lockhart. Com o passar da série (e da faculdade), Maura tornou-se médica e uma das atrizes principais do elenco. Maura não fazia parte dos tempos áureos do County General Hospital, de Chicago, mas foi a melhor aquisição depois do desfalque que levou George Clooney, Julianna Marguiles, Alex Kingston, Anthony Edwards, Noah Wyle e outros.

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Já a outra notícia é mais alegre. Renée Zellweger engordará, novamente, uns quilos, para encarnar pela terceira vez a inglesinha gorducha, Bridget Jones. Desta vez, os problemas retratados no filme não serão os comuns às mulheres de 30, mas sim entre as quarentonas. Adoro Bridget Jones, sua lista neurótica de calorias e seu jeito inocente-desastrado de viver!

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13 de Julho de 2009

Hoje é Dia de Rock!!

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Por uma razão bem banal, dia 13 de julho é o Dia Mundial do Rock and Roll.

Morto ou não, ouvir um bom rock é uma das melhores coisas que existe.

Eu não sou entendida de música. Deixo os grandes post para os que sacam mais do que eu.

Mas, fui lá descobrir pq o dia 13 de julho, um dia tão comum, é o Dia Mundial do Rock.

Simplesmente, porque no dia 13 de julho de 1985. vários músicos se reuniram na Inglaterra (e alguns outros lugares do mundo) para cantar contra a fome na Etiópia.

Eu me lembro do Live Aid.

Foi a contrapartida do rock and roll ao “We are the World” do Michael Jackson.

Os vídeos do You Tube das aprensentações do Live Aid são ótimos. Tinha Queen, U2, George Michael, Tears for Fears, Paul McCartney, Phil Collins, Bob Dylan, Sade, Sting, Brian Ferry, Paul Young, Elton John e outros.

Foi o festival da ombreira e do mulet em sua plenitude!

Bem ou mal, deu ao bom e velho Rock, uma dia digno de sua importância!

Queen, no Live Aid, cantando We Will Rock You!

10 de Julho de 2009

Encontro de Motoqueiras

A Olívia pediu e eu estou divulgando:

Acontecerá, no próximo dia 18, um encontro de motoqueiras

em Monte Verde, Minas Gerais.

Para mais informações, entre em contato com a Olívia pelo blog dela.

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Babei! Está aí uma coisa que eu adoraria fazer…

Quem sabe no futuro…

Tudo acaba em Pizza

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E não é só em Brasília. Mas, em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte…

São tantos os sabores, tipos, massas, formatos, cones que não existe A pizza. São As pizzas.

Quando vou comer nas tradicionais pizzarias de São Paulo e vejo chegar uma pizza sem queijo, não acho que esteja diante de uma legítima pizza. Adoro o gosto, mas, sinceramente, acho estranho. Paulistas quando olham cariocas comendo pizza quase têm um troço do coração. Aqui, pizza não é santuário. Profanamos a pizza colocando de tudo: ketchup, mostarda, azeite, molhos, catupiry, frutas e o que mais a criatividade (e o paladar) permitirem. Existem até os adoradores da pizza fria e dormida!

Para os paulistas, o que comemos aqui não é pizza. Para os verdadeiros criadores da pizza (os napolitanos) o que comemos no Brasil também não é pizza. A pizza brasileira é muito mais americanizada (lotada de queijo) do que propriamente italiana.

Eu não sou fã de pizzas. Principalmente, destas inovações gastronômicas. Quando como, gosto das clássicas: margherita, calabresa, mozzarela, napolitana. O máximo de inovação fica por conta do champignon e a de banana com canela.

Conheço quem enlouquece caso fique sem comer pizza. Meu irmão mais novo, nascido no Rio e criado em SP, come pizza, religiosamente todo domingo. Não tem obstáculo nem dificuldade. E ele ainda guarda o resto para comer no dia seguinte. Fico abismada com tanto amor e devoção por um disco de massa vagabundo, com molho de tomate ácido, queijo azedo e um algo mais, que veio de um delivery qualquer.

O segredo da boa pizza é justamente este: a qualidade da matéria pizza.

Experimente comer pizza com uma ótima massa, molho de tomate pomodoro, queijo mozzarela ou uma calabresa de primeira? Aí, não tem cristão que fique indiferente. é de comer rezando!

Desde 1985, hoje, comemoramos o Dia da Pizza. Portanto, do jeito que for e como for,

Mangiare!!

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Até tu, Presidente?


A cara do Sarkozy é o melhor da foto!
Inacreditável!! Um sujeito que dorme com a beldade da Carla Bruni
ainda fica olhando bunda de adolescente mundo a fora!

Srs. Presidentes...que coisa feia!!



8 de Julho de 2009

O Legado de Farrah

Ou a dor que está escondida ao não olharmos nosso próprio rabo!

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A morte de Farrah Fawcett acabou sendo encoberta pela perda de Michael Jackson. A de Farrah já era, de certa forma, esperada pelos anos de luta contra um câncer terrivelmente devastador. Talvez, por isto não tenha nos chocado tanto.

Para que a morte desta beldade não fique em vão, o GNT vai exibir na próxima sexta-feira, dia 10, o documentário que Farrah Fawcett fez sobre sua doença.

O documentário deve ser tão ou mais triste que o filme Love Story, estrelado pelo marido de Farrah, Ryan O’Neal, em 1970.

Farrah começa o documentário falando sobre as três palavras que ela nunca tinha pensado em ouvir na vida: “Tumor Retal Maligno”.

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Cada vez é mais frequente o diagnóstico de tumores (malignos ou não) no reto, ânus e região, o conhecido câncer colo-retal. Muitas mulheres (e homens) não sabem que uma das origens deste tipo de câncer pode (eu disse PODE) estar relacionado com o HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Médicos acreditam que o tipo de alimentação, o ritmo de vida e outros fatores, como a hereditariedade, contribuem muito para o número dos casos.

Ficamos sempre muito preocupadas com o câncer de mama, ovário, útero e adjacências. Não faz parte da nossa cultura falar sobre o ânus e o reto. Simplesmente, porque esta região do corpo está associada as fezes, a excremento, sujeita, etc. Esquecemos que é uma parte fundamental do organismo e da saúde!! Quando pensamos nesta região é pelo prazer do sexo anal. É aquela típica região do corpo que não vemos, não sentimos, tocamos ou nos preocupamos normalmente. Só quando ficamos doentes. E mesmo assim não com rápido diagnóstico. Justamente por não termos intimidade alguma com esta região corporal.

As campanhas para exames de toque retal visam homens, dos 40 anos em diante e para a detecção do câncer de próstata. Não ouvimos falar sobre mulheres que visitam o Proctologista com frequência ou que já foram a um, pelo menos, uma vez na vida.

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Não faço deste post um alarme. Só que, por uma dolorosa experiência pessoal há alguns anos, recomendo a todos que cuidem do próprio rabo! Sem vergonha ou pudor. Afinal, é uma parte do corpo como qualquer outra e que merece cuidados.

Mais informações podem ser obtidas no site do INCA.


A quem interessar…

Jon Lee Anderson

Jornalista americano prepara reportagem sobre tráfico no Rio para 'New Yorker' e diz que cidade é uma 'calamidade nacional'

Por André Miranda - O Globo Online

RIO - Daqui a poucas semanas, o Rio novamente será tema de uma grande reportagem internacional, desta vez da prestigiada revista americana "The New Yorker". Em maio, o jornalista e escritor Jon Lee Anderson veio à cidade para tentar compreender como atuam as organizações criminosas do tráfico de drogas e como seu poder transformou a vida dos cariocas. A diferença da reportagem de Anderson para outros trabalhos internacionais que lidaram com o assunto é que ele subiu favelas, conversou com traficantes e pôde presenciar a ausência do Estado em várias situações.

Um dos mais renomados jornalistas americanos, autor de "Che Guevara - Uma biografia" (Objetiva), com vasta experiência em zonas de guerra, como Iraque e Afeganistão, Anderson esteve no último fim de semana na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Lá, evitando revelar nomes, ele adiantou para O GLOBO algumas das histórias que serão abordadas em seu texto e garantiu: "O Rio é uma calamidade nacional". De acordo com ele, sua reportagem, cujo potencial de repercussão para a imagem da cidade no exterior é grande, deve ser publicada até o fim de julho.

Por que fazer uma reportagem sobre os problemas do Rio?

JON LEE ANDERSON: Minha reportagem não será um texto de um americano dando respostas para os problemas brasileiros. Eu não tenho essa pretensão. O que acontece no Rio faz parte de uma história maior, que não é exclusiva do Brasil e que já aconteceu em outros lugares, em tempos diferentes. Se você observar a Chicago dos anos 1930, vai entender o que quero dizer: lá também havia corrupção e não havia Justiça. Vale a pena escrever sobre o Rio porque a cidade é um exemplo extremo do que acontece em outros lugares.

O senhor entrou nas favelas sozinho ou acompanhado?

ANDERSON: Acompanhado. Eu tive algum acesso a algumas favelas. Eu fui para o Alemão, por exemplo, e algumas outras. Mas prefiro não dar detalhes sobre isso antes de minha reportagem ser publicada.

E o senhor falou com traficantes?

ANDERSON: Sim.

O que eles disseram?

ANDERSON: Não existe um discurso único. O que eu achei mais interessante foi como eles se assumiram como criminosos, literalmente como criminosos. Não houve tentativas de fingir que têm outro papel. Mas eles tentaram se justificar de alguma forma, como se buscassem redenção, explicando que as pessoas dependem deles. Segundo suas descrições, é uma relação parecida com a estabelecida pelas máfias. Se as senhoras ficam sem gás, eles compram gás para elas, essas coisas. O interessante para mim é como isso é permitido, como a sociedade está acomodada com essa situação.

Por que acomodada?

ANDERSON:Eu fui a favelas em que não aparecia polícia desde 2003. Há mil favelas no Rio. Eu acho que a situação do tráfico não é vista como uma calamidade nacional. E, no meu ponto de vista, é o que o Rio é: uma calamidade nacional. Há gangues fora de controle em muitos territórios. O que as diferencia das guerrilhas do passado é que antes havia ideal político. Há uma estranha acomodação e conveniência entre a criminalização da sociedade e o asfalto. Isso é uma perversão da normalidade. Depois de um tempo, você se adapta e se acostuma com essa deformação. Não é apenas no Rio. Eu já vi isso em outros lugares. E não é apenas um problema brasileiro, é um problema que ocorre na América Latina. Resolvi buscar essa história aqui porque acho o Rio um lugar maravilhoso e problemático.

Quando os traficantes tentaram se justificar, o senhor acreditou neles?

ANDERSON:O que me impressionou foi ver que eles realmente fazem algumas coisas pela população. Acontece que apenas algumas poucas pessoas são completamente más. A maior parte delas, mesmo criminosas, não o é. Até os criminosos precisam criar alguma compensação moral, por mais distorcida que seja. Isso está relacionado a um tipo de ordem que não é fornecida pelo Estado. Dar gás para a senhora que está precisando é uma boa forma de propaganda. Mas também é uma necessidade, porque eles precisam do apoio dessas pessoas, de um jeito ou de outro. Um guerrilheiro me disse certa vez: "Pode-se ganhar uma guerra de duas maneiras, a boa e má, e as duas funcionam." Só que também é possível usar as duas maneiras ao mesmo tempo. E, de fato, é o que acontece no Rio. Você pode intimidar toda uma população para que ela faça o que você ordenar. Para os traficantes, não importa tanto quem vai vencer. Isso é secundário. É mais uma questão de sobrevivência por um tempo. É sempre uma questão de sobrevivência. Se o Estado não lhes dá condições para deixar de ser criminosos, tudo o que podem fazer é continuar sendo criminosos e sobreviver. É uma escolha amoral de uma existência amoral.

A culpa, então, é do Estado?

ANDERSON: Não, não estou pondo toda a culpa no Estado. Mas também não acredito que ele seja uma vítima. Há uma perversão patológica que permite que a criminalização da sociedade continue. Isso é perturbador. No Rio, o comportamento criminoso visa sobretudo a ganhar dinheiro. É inteiramente materialista. É uma humilhação imensa para a existência humana. Eles não lutam ou arriscam suas vidas para mudar a sociedade. Eles arriscam suas vidas para vestir um Emporio Armani. E me assusta ver que o resto da sociedade, que também gosta de vestir um Emporio Armani, está feliz em deixá-los fazer isso. É claro que a sociedade vai dizer que não está feliz, mas sua inércia diz o contrário. E é claro que há uma relação entre eles, de fornecedores e consumidores, e também das redes corruptas do Estado que não ocupam aquele vácuo. O Estado se mostra disforme e corrupto quando aceita fazer contato com eles. A polícia se torna assassina ou vira milícia, o que também é um tipo de máfia. E os juízes, o que fazem? Por que os assassinos de Tim Lopes estão nas ruas? Os jornalistas hoje têm medo de entrar nas favelas porque eles são torturados e mortos. OK, se é errado torturar e matar, por que eles são soltos depois de dois ou três anos? Não estamos falando de um assaltante de banco que atirou em alguém acidentalmente, estamos falando de uma pessoa que torturou a outra até a morte por horas. O Estado não está funcionando, e os criminosos sabem disso. Os criminosos estão se tornando mais fortes, perderam todo o respeito pelas leis e pela sociedade.

O senhor procurou alguém do governo?

ANDERSON:Sim, eu conheci algumas pessoas interessantes. Algumas me pareceram excepcionais e parecem ainda tentar descobrir como consertar o problema. Também falei com alguns policiais e com pessoas envolvidas na segurança do estado.

Existe um documentário brasileiro chamado "Notícias de uma guerra particular", dirigido por João Moreira Salles. O senhor viu este filme?

ANDERSON: Sim. Eu me encontrei com João logo que comecei a apurar a história. Ele me disse que se afastou do tema nos últimos anos. E disse que muitos dos jovens do filme já estão mortos. Vendo o filme, percebe-se que a situação do Rio já era emergencial há 12 anos. Só que, de 12 anos para cá, o número de mortos só cresceu. Eu fui ao enterro de um policial. Enquanto eu estava no Rio, cinco policiais foram mortos. Parece que atirar e matar policiais é um esporte. Isso deveria chocar as pessoas. Mas talvez as pessoas não se choquem porque elas também não enxergam os policiais como uma força de lei e ordem. É horrível pensar que a população pode enxergar os policiais como criminosos. O Estado não aplica a Justiça, então a polícia mata. E, em resposta, os criminosos matam de volta. O que acontece na América Latina parece aquela cidade distópica do Batman. Os criminosos são personagens que têm rostos, que se escondem e que entram em guerra contra a cidade. O Pinguim virou realidade. Não deveria ser assim, mas é, e as pessoas se acomodaram com essa situação.

Quando João Moreira Salles lançou seu filme, ele foi criticado por ter mantido contato com traficantes. O senhor acha que o mesmo pode acontecer com sua reportagem?

ANDERSON:Eu acho que sim. Na Colômbia, o presidente Uribe, que tem uma popularidade imensa, chama todos os guerrilheiros de terroristas. A população ficou apática e não quer saber o que acontece nas selvas, onde ficam esses guerrilheiros. Então, um grupo de jornalistas entrou nas selvas para se encontrar com os guerrilheiros e fazer um documentário. Aí o presidente passou a chamar esses jornalistas de terroristas também. Eu não sei exatamente o que aconteceu com João Moreira Salles aqui. Só li sobre o caso muitos anos depois e soube de várias versões diferentes. Mas me parece problemático quando o governo ataca verbal ou judicialmente jornalistas que cruzam a linha para informar à população o que acontece do outro lado. Espero que as pessoas não cometam esse erro comigo e me acusem de qualquer coisa só porque eu conversei com criminosos. Eu não criei esse problema. Foram as supostas autoridades que permitiram que isso ocorresse. As favelas às quais eu fui não veem autoridade há sete anos. E eu também entrei em favelas em que passei por pequenos postos policiais completamente nas mãos de grupos criminosos armados, vendendo cocaína abertamente, com armas na mão. Tudo em frente à polícia; também vi policiais lá. Eu conheci uma traficante muito simpática, que me contou que tinha sido estuprada por um grupo quando criança. Ela não estava justificando sua atividade. Ela é uma traficante. Não é porque eu vou escrever sobre ela, humanizar essa personagem, que isso significa que eu estou fazendo apologia ao crime. Não concordo. Não escrever sobre ela é não lidar com o problema. E escrever não é desculpar seu crime.